5 dicas para financiar seu projeto de quadrinhos através do Catarse

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Este artigo foi escrito para o Múltiplo e Fanzine Ilustrado, por isso trata da publicação de projetos de quadrinhos no Catarse. No entanto, as dicas que dou aqui valem para quaisquer projetos, já que o trabalho de arrecadação de recursos é igual em todas as áreas.


 

Entro no Catarse, exploro a categoria de Quadrinhos. Em pleno feriado, me deparo com 66 projetos no ar. Rolo a página e percebo que pelo menos metade deles não atingiram 10% da meta, enquanto a outra metade parece ir muito bem, obrigada. Qual é a diferença? Por que alguns projetos dão certo e outros não?

Para desespero de alguns, não há resposta certa. Você pode ser um artista famoso ou iniciante, ter ou não contatos, receber muita ajuda e, mesmo assim, não conseguir viabilizar a sua publicação. No entanto, existe um fator que baliza todos os projetos bem sucedidos: uma ideia bem trabalhada.

Talvez alguns dos projetos financiados não façam o seu tipo, mas é preciso lembrar que as pessoas têm gostos diferentes. Por isso, a única regra para que uma campanha “vire” é o proponente achar pessoas suficientes que acreditem na sua ideia.

Olhe para o seu projeto como se fosse um apoiador. Você compraria sua ideia? Ajudaria a viabilizar sua publicação da forma como é apresentada?

Em outras palavras, não existe fórmula mágica. Não basta colocar a sua ideia mirabolante no ar e pronto, os apoiadores sedentos chegarão. É preciso convencer as pessoas – e, pasme, convencer não é algo ruim. Até mesmo nós artistas precisamos vender algo para sobreviver. Vendemos nossa imagem, nosso tempo, nossas palavras e nossas conversas para, enfim, vendermos nossas ideias.

Depois de quatro campanhas bem sucedidas, aprendi algumas coisas sobre divulgação de projetos. Entre crises de identidade, erros e acertos, selecionei 5 dicas indispensáveis para você aplicar hoje na sua campanha e viabilizar a sua publicação.

  1. Trabalhe sua ideia até o limite

Você teve uma ideia incrível, a história mais perfeita de todos os tempos. Anote-a e respire. Escreva tudo o que você pensou e esqueça-se dela. Vá tomar um sorvete, comprar ração pro cachorro, veja uma besteira no YouTube. Agora volte.

Olhe para o seu projeto como se fosse um apoiador. Você compraria sua ideia? Ajudaria a viabilizar sua publicação da forma como é apresentada?

Quando elaboramos algo, tudo está lindo e estruturado em nossa mente, mas é preciso lembrar de que o seu apoiador não é você. É outra pessoa, com outra mente – e, acredite, ele não faz a mínima ideia do que se trata o seu projeto se você não contar.

O bom trabalho artístico não é aquele que nasce pronto, mas sim o que foi melhor lapidado. Como artista, a sua função é mostrar ao mundo, de forma clara, o que é capaz de entregar.

Deixe os enigmas para o texto da sua publicação. A ideia, aquilo que você está querendo vender, deve ser completo e claro para evitar dúvidas ou questionamentos posteriores.

Antes de começar o seu projeto, você precisa estar consciente de que terá que atingir muito mais gente do que o necessário para financiá-lo.

  1. Mova a sua rede de contatos (mas não seja chato)

Pare e pense: você acha que todos os seus contatos sabem que você faz quadrinhos? Tenho certeza de que a maioria delas nem sabe muito bem o que é uma história em quadrinhos. E não há nada de errado nisso.

Depois de montar o seu projeto maravilhoso, é hora de deixar todo mundo bem informado sobre o que você quer fazer e o que precisa de cada um. Peça ajuda sem medo de ser feliz.

Porém, pedir ajuda sem ser chato é uma arte. Existem várias formas de fazê-lo e a que eu mais gosto é a da entrega. Explico.

Antes de pedir, você entrega algo. Essa entrega pode ocorrer de várias formas: páginas prontas da sua HQ, postagens com trabalhos anteriores, conhecimentos compartilhados, conversas, etc.

É preciso ter em mente que a taxa de conversão de apoios é baixa. Meus projetos tem, em média, 5 mil visualizações, mas apenas 4% dos visitantes se tornam apoiadores.

Em outras palavras, antes de começar o seu projeto, você precisa estar consciente de que terá que atingir muito mais gente do que o necessário para financiá-lo. Sendo assim, quanto mais gente souber o que você está fazendo, maiores serão as chances de transformar essas pessoas em apoiadores.

Cada projeto é único e deve ser trabalhado do zero, como se você estivesse começando a sua carreira.

  1. Você é a sua ideia

Essa eu aprendi na marra. Não importa quem esteja te acompanhando no projeto. Se você, o idealizador da coisa toda não trabalhar todos os dias na sua campanha, ela não dará certo.

Mais uma vez, não existe fórmula mágica.

Será preciso vender a sua imagem, dar à cara a tapa. Dizer quem você é e para quê veio. Mas, ao mesmo tempo, mostrar ao seu futuro apoiador que a sua ideia é maior do que você.

A lógica é uma loucura mesmo: sou o autor do livro, a ideia é minha, mas não sou a minha ideia e essa ideia não sou eu por inteiro. No entanto, se você se tornar meu apoiador, levará não só um livro, mas também parte das minhas ideias e da minha vida.

A partir do momento que você entender que o seu projeto é muito mais do que uma ideia passageira, saberá que todas as suas ações durante a campanha contribuirão para que ela seja financiada.

Financiamento coletivo é exposição. Uma vitrine que traz vários benefícios, mas também exige paciência.

  1. Esteja pronto para apresentar o seu trabalho infinitas vezes

Outra lição que eu aprendi apanhando: não importa o quão famoso você seja, SEMPRE haverá alguém que ainda não conhece o seu trabalho. Por isso, é preciso deixar o ego de lado e ser humilde ao falar do que você faz.

Ser famoso ou já ter projetos bem sucedidos no Catarse não são fatores decisivos para o sucesso de uma campanha. Cada projeto é único e deve ser trabalhado do zero, como se você estivesse começando a sua carreira.

Quem já te conhece e gosta do seu trabalho te apoiará de qualquer forma. O desafio é encontrar novos leitores. A vantagem de sempre começar do zero é que você abre caminho para quem ainda não conhece nenhuma publicação sua, caso você tenha.

Pense que tudo o que você produz pode ser a primeira vez de alguém. A primeira vez que teve contato com o Catarse, com trabalhos independentes, com textos sobre um determinado assunto, etc. Sendo assim, não é exagero nenhum estar pronto para direcionar sua divulgação para quem ainda não te conhece.

Lembre-se que a diversão e o aprendizado estão no caminhada e não na chegada.

  1. Ame o seu projeto até o fim

Costumo dizer que manter uma campanha no Catarse é como ter uma TMP constante. As emoções oscilarão tal qual uma montanha russa enquanto seu projeto estiver no ar. No mesmo instante que amamos a ideia, queremos jogá-la no lixo.

Financiamento coletivo é exposição. Uma vitrine que traz vários benefícios, mas também exige paciência. Uma vez exposto, as pessoas virão falar com você – e, se sua praia não é socializar, talvez não seja uma boa ideia começar uma campanha.

É preciso amar o seu projeto para trabalhar nele até o fim – desde o primeiro esboço até o restolho do estoque da sua publicação. Estar pronto para se repetir quantas vezes for necessário. Defender sua ideia, acreditar nela e não se irritar se as coisas não saírem como o esperado. Lembre-se que a diversão e o aprendizado estão no caminhada e não na chegada.

Se você escolher deixar o seu projeto no ar por 60 dias (o máximo permitido no Catarse na categoria Tudo ou Nada), saiba que serão 60 dias de trabalho contínuo na divulgação da sua campanha. Não é só sair postando em todos os grupos do facebook e fazer um print da sua tela uma vez por semana.

O amor deve se estender a todas as suas ações durante a campanha. Cada palavra, troca de mensagens, apresentação da ideia, postagem, vídeo e demais ações exigirão dedicação e presença. Parece simples, mas te garanto que cansa.

Os bons projetos, quando bem divulgados, sempre encontram seus leitores.

Pronto para fazer a sua campanha deslanchar?

Sei que vou me repetir, mas vale a pena: não existe fórmula mágica. Colocar uma campanha no Catarse e fazer com que ela seja bem sucedida dá muito trabalho. No entanto, se o seu objetivo é trabalhar com HQs, recomendo que você utilize a plataforma ao menos uma vez.

A comunidade de quadrinhos – tanto leitores quanto artistas – é bastante receptiva a novos projetos. Os bons projetos, quando bem divulgados, sempre encontram seus leitores.

Por isso, não tenha medo de tirar suas ideias da cachola. No entanto, antes de colocar sua campanha no Catarse, lembre-se: se você não quer trabalhar para encontrar leitores que acreditem na sua ideia, é melhor buscar outra forma de viabilizar a sua publicação.

Sobre o autor

Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).

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Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).