5 motivos para você praticar a escrita terapêutica e libertar suas emoções

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Presos em nossas rotinas, crenças e angústias, fica muito difícil vislumbrar saídas para as dores. Mesmo que você não queira se tornar mais criativo ou publicar livros, escrever pode ser benéfico. A escrita terapêutica é uma forma de equilibrar as emoções e lançar um novo ponto de vista sobre os problemas que o acometem.

Trata-se de uma prática simples, que consiste em escrever qualquer coisa que estiver em sua mente, não se importando com julgamentos, gramática ou sentido. Basta escrever 10 minutos por quatro dias consecutivos para começar a perceber os resultados.

Contribui para o autoconhecimento

Por experiência própria, posso dizer que a sensação é muito boa. Aqueles problemas impossíveis de resolver ganham um novo viés até ficarem no passado. Com a materialização das ideias, é possível ver, literalmente, o amadurecer dos pensamentos, um passo de cada vez.

Mas, como todo exercício, é preciso executá-lo todos os dias, sem procrastinar. Muitas vezes, quando estamos sofrendo, queremos que a resolução aconteça de imediato e procuramos soluções rápidas. No entanto, não há nada mais eficaz contra a angústia do que o autoconhecimento. É com ele que cortamos o mal pela raiz e recebemos as armas necessárias para lutar pelo que desejamos.

É importante ressaltar ainda que nenhum estado de espírito é permanente e todos são necessários para vivenciarmos as experiências da vida.

Como redescobri meu caminho

Apesar de escrever desde pequena, eu nunca tinha me dado a chance de escrever todos os dias. Não dava valor para isso. Criei, por muitos e muitos anos, rotas de fuga que justificavam o fato de eu não me dedicar à escrita de fato. Porém, depois de publicar a HQ A Samurai e experimentar de fato a experiência como autora, entrei em um looping de depressão e ansiedade inimaginável.

Demorei cerca de um ano para perceber o que estava acontecendo comigo. Não era uma questão simples (como todas as questões, afinal). Via que as coisas ao meu redor não se encaixavam, mas não encontrava o motivo.

O motivo, meu caro, era simples: percebi que devia ter apostado na escrita muito antes. O arrependimento tomou conta do meu corpo e me prendeu no calabouço da angústia. E só comecei a perceber o que estava acontecendo quando decidi escrever não como escritora, mas como o ser humano que sou.

Equilibra as emoções

Claro que, mesmo com a angústia dissipada e os sentimentos menos inquietos, nada garante que a ansiedade e a depressão sumam. O objetivo da escrita terapêutica não é controlar, mas sim equilibrar as emoções e te deixar consciente sobre as circunstâncias em que elas afloram.

É importante ressaltar ainda que nenhum estado de espírito é permanente e todos são necessários para vivenciarmos as experiências da vida. E, se você for escritor, conhecer e até emular as emoções é essencial para a veracidade dos seus textos.

Sendo assim, ao sabermos que estamos no comando das nossas emoções (e não o oposto), somos capazes de lutar pelos nossos objetivos e trilhar com mais segurança a nossa jornada pessoal.

Colocar as palavras no papel exercita a massa cinzenta, aumenta as sinapses e deixa sua mente tinindo para quando você precisar comunicar algo.

Organiza os pensamentos

A prática diária da escrita terapêutica estimula a criatividade, no sentido de resolução dos problemas. Ao extravasar os sentimentos através das palavras, torna-se cada vez mais natural termos insights diversos sobre as circunstâncias que se apresentam no dia a dia. Anote-os, pois eles são a sua fonte de ideias.

Quanto mais escrevemos, mais organizadas se tornam nossas ideias. Ao invés de navegar por um mar de sentimentos controversos e confusos, catalogamos angústias e aprendemos como lidar com elas de forma ordenada.

E, mais uma vez, saber o que te incomoda também te fará perceber o que você quer fazer, o que deve mudar em sua vida e quais caminhos seguir. Escrever pode não transformar os boletos em barras de chocolate, mas te dará novas ideias para lidar com os dividendos.

Melhora a comunicação

Ora, pode ser escrita terapêutica, mas ainda estamos falando de escrever, afinal. Colocar as palavras no papel exercita a massa cinzenta, aumenta as sinapses e deixa sua mente tinindo para quando você precisar comunicar algo.

Ao invés de sentir-se perdido numa sopa de letrinhas desconexas ou travado por uma angústia lancinante, sua comunicação será certeira. É como quando falamos em público sobre algo que não dominamos: não temos o que falar. Uma vez no comando das suas emoções, você será o maestro das suas palavras.

Apenas 10 minutos por dia de escrita descompromissada, no horário que melhor convier. Não há regras, basta sentar e fazer.

Aumenta a disciplina

As distrações estão aí e são muitas. Dentro e fora de casa, não importa. É muito fácil ficar se enganando e procrastinando o que quer que tenha que fazer no dia. Trabalhar, limpar a casa, lavar a roupa, fazer almoço, tudo!

Mas, eu vou contar um segredo: a disciplina ajuda a vencer qualquer depressão. Ser disciplinado significa não sucumbir às desculpas que sua mente produzirá para ficar inerte.

A escrita terapêutica é um compromisso diário que você tem consigo mesmo. Ninguém está te exigindo isso, não vale nota, não dá dinheiro, ninguém vai ler o que você escreveu. A única recompensa é a satisfação pessoal de ter executado a tarefa por mais um dia. À medida que o tempo passa e você percebe os benefícios de libertar as emoções, a disciplina se espalhará para as demais áreas de sua vida, dando consistência e continuidade ao seu caminho.

De escritor e louco todo mundo tem um pouco

A escrita terapêutica é o primeiro passo que você pode dar no cuidado da sua saúde emocional. É algo que só você pode fazer por si mesmo no aqui e agora, então comece o quanto antes. São apenas 10 minutos por dia de escrita descompromissada, no horário que melhor convier. Não há regras, basta sentar e fazer.

Claro que o hábito de escrever não exclui a terapia com um psicólogo ou, em alguns casos, o uso de remédios para auxiliar no tratamento. No entanto, colocar os sentimentos no papel te fará perceber que não era preciso viver como uma vítima das angústias.

Tenho certeza de que ao aumentar a disciplina, melhorar a comunicação, organizar os pensamentos, equilibrar as emoções e promover o autoconhecimento, você passará a viver mais satisfeito consigo mesmo. Escolha suas armas – papel, caneca, computador ou celular – e desnude-se através das palavras. A hora de começar é agora.

Sobre o autor

Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).

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Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).