Você sabe a diferença entre escrita criativa, técnica e jornalística?

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Ser escritor é como viver em um labirinto. Apesar de sabermos que queremos escrever, as opções são tantas que nos confundem. Sobre o que você escreve? Meio que travo ao ouvir tal questionamento, eu escrevo e ponto. Escrevo porque preciso, escrevo porque estou tonto, já diria Paulo Leminski, parafraseado pelo grupo Pitanga em Pé de Amora.

Mas calma, sempre há uma saída, mesmo que não pareça. Ser escritor significa trabalhar com as palavras de alguma maneira, certo? Portanto, antes de sair se descabelando por aí, é importante compreender que antes de escolher um gênero de sua preferência ou descobrir qual é a sua voz, é preciso entender as diferenças básicas entre escrita criativa, escrita técnica, escrita jornalística e escrita para a web.

Está pronto? Então vem comigo neste passeio pelas linguagens textuais.

Imagine que você terá que escrever a bula de um remédio. Confundir as indicações com as contraindicações pode ser fatal.

A magia da escrita criativa

Escrita criativa é, em linhas gerais, soltar a imaginação ao escrever. É todo o ato de escrita que não exige do escritor, necessariamente, veracidade no texto. É quando sentamos para escrever uma história, um poema, um desabafo ou uma loucura qualquer só para aquecer os motores da massa cinzenta.

É bem provável que os primeiros rompantes de todo escritor tenham se originado na escrita criativa. É nesse momento que estamos livres para escrever sobre qualquer coisa, da maneira que melhor nos convier. Sem amarras, exigências ou prazos para cumprir.

Claro que estou ignorando, para fins de explicação, méritos como estilo, coesão, coerência e experiência do escritor. É importante perceber que a escrita criativa é acessível a todos, já que é uma forma de soltar a imaginação. Basta sentar e escrever sem preocupação – o resto você corrige depois.

A importância da escrita técnica

Escrita técnica é quando escrevemos para explicar algo. Aquele texto sobre as estruturas celulares na escola, a monografia na faculdade ou o relatório de vendas no trabalho. Aqui não há espaço para criar, imaginar ou sequer ter um estilo. É preciso ser claro e objetivo.

Todo texto técnico exige certo nível de conhecimento sobre o tema abordado – afinal, você irá explicar algo ao escrever. Será preciso conhecer as palavras específicas da área, ser sucinto e coeso para que a mensagem chegue o mais clara possível ao leitor.

Imagine que você terá que escrever a bula de um remédio. Confundir as indicações com as contraindicações pode ser fatal. Por isso, ao optar pela escrita técnica, você é responsável não só pelas palavras que utiliza, mas também pela informação que será lida pelo receptor.

Ao contrário do jornalista que precisa ser imparcial, o redator para web precisa se mostrar o mais humano possível.

O valor da escrita jornalística

A escrita jornalística é factual e informativa. Além de respeitar as regras de clareza do texto técnico, ela exige que o escritor seja sucinto. O leitor precisa receber e compreender a informação o mais rápido possível e em tempo real, por isso, nada de ficar floreando o texto!

Todo texto jornalístico respeita a hierarquia da pirâmide invertida, na qual as informações mais importantes sempre são apresentadas nos primeiros parágrafos. Partindo do pressuposto que o leitor só dará atenção à manchete e ao primeiro parágrafo, os jornalistas usam ainda as seis perguntas que compõe o lide (ou lead, no original) da notícia: quem, quando, onde, o que, como e por quê.

O restante do texto, chamado de corpo, complementa as informações anteriores, sempre respeitando a hierarquia de importância no que é apresentado.

O encanto da escrita para web

A escrita para a web baseia-se na escolha e desenvolvimento de uma pauta (tema). No entanto, apesar de ser necessário conhecer o tema e as práticas de redação para a web, escrever para blogs é como misturar as três linguagens anteriores no liquidificador.

O escritor precisar ser factual, desenvolver o assunto de forma clara e ainda colocar aquele tempero pessoal para prender a atenção do leitor. Ao contrário do jornalista que precisa ser imparcial (apesar de eu acreditar que a imparcialidade não existe), o redator para web precisa se mostrar o mais humano possível.

Enquanto escrevo aqui para o site, construo caminhos e lanço artifícios diversos para guiar o leitor. Conto histórias, transmito conhecimentos, dou referências e troco experiências para que, ao final da leitura, o receptor queira continuar conversando comigo e leia outros artigos. Por isso, a escrita para a web é meu texto informativo preferido.

Escrita criativa, técnica, jornalista e para a web são formas de expressão que podem e devem ser exploradas sempre que possível.

O escritor polivalente

Agora que você já as conhece, é hora de praticar as diferentes linguagens textuais. Escrita criativa, técnica, jornalista e para a web são formas de expressão que podem e devem ser exploradas sempre que possível. Para colher frutos, o escritor precisa ser polivalente, ou seja, não se prender a apenas uma forma.

Mesmo que você seja um romancista, em algum momento terá que escrever um press release para enviar aos veículos de comunicação. Ou talvez você seja um advogado que só escreve processos, mas não consegue tirar da cabeça aquela história incrível. Arrisque-se!

Um diário muito louco (exercício extra!)

Proponho o seguinte exercício: escreva quatro textos sobre o dia de hoje, um em cada linguagem. Você pode escolher algo que viu na rua, leu em algum lugar ou que vivenciou. Assim que se decidir, escreva na seguinte ordem:

  • Escreva um texto jornalístico mostrando os fatos;
  • Escreva um texto técnico explicando em detalhes o que aconteceu;
  • Escreva um texto criativo contando a sua versão da história;
  • Escreva um texto para a web misturando um pouco de cada linguagem anterior.

Resultado em mãos, poste em algum lugar e deixe o seu link nos comentários. Eu adorarei ler o resultado da sua experiência!

Escreva mais e melhor com a Caixa de Ideias do site Oficina de Escrita

Sobre o autor

Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).

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Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).