Quero ser um escritor profissional, mas será que escrever dá dinheiro?

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Imagine-se ganhando dinheiro só escrevendo o que gosta, da forma que gosta. Sem precisar sair de casa, acordando no horário que bem entender, com tempo para cuidar das palavras. Mas será que escrever dá dinheiro?

Sim, escrever dá dinheiro, mas dá muito trabalho também. Não é algo que acontecerá do dia para noite e talvez te traga algumas preocupações, como qualquer trabalho autônomo. No entanto, se é o seu sonho, a satisfação pagará a conta.

Descubra se você está disposto a correr os riscos de começar a sua carreira como escritor profissional.

Renda principal ou extra?

A primeira pergunta que você deve se fazer é: quanto estou disposto a investir como escritor? Em muitos casos, os escritores possuem outra fonte de renda no início de carreira para se sustentar.

Por isso, antes de abandonar o emprego formal, avalie sua situação financeira. É preciso estar ciente de que escrever dá dinheiro, mas talvez não o suficiente para te sustentar por completo.

Desde a criação da imprensa, muitos escritores são pagos ao produzir para veículos de comunicação. Hoje, com a internet, há também a opção de investir no marketing de conteúdo.

Estabeleça metas e seja disciplinado

É difícil conciliar trabalho criativo e vida real. Às vezes tudo o que queremos é viver dentro das nossas histórias, não é? Mas o mundo nos chama, os boletos chegam, imprevistos acontecem e nos tiram o foco.

Para não se perder no caminho, é preciso ser disciplinado. Saber exatamente qual é o seu objetivo como escritor. Estabelecer prazos para si mesmo, mas sem ser escravo deles.

Escreva sem cessar

Seja um blog profissional ou um romance de 50 mil palavras, não importa. Enquanto você não acreditar e trabalhar o seu texto todos os dias, será bem mais difícil ser recompensado por isso.

Você já foi a uma panificadora sem pão? Se não tiver pão, não há o que vender. O escritor precisa amassar a massa cinzenta todos os dias, misturar com fermento e colocar para assar. Caso contrário, fica só na intenção.

É claro que vender um texto é mais subjetivo do que vender um pão. É bem fácil, inclusive, desistir de ser escritor e ser padeiro. Ao menos pão todo mundo sabe que vende.

O fato é que o escritor, muitas vezes, primeiro trabalha para depois receber. Só que esse depois pode demorar muitos anos e vir aos pouquinhos. E é isso que assusta, porque as contas não esperam para chegar, só aumentam.

Sendo assim, um escritor precisa ter metas de médio e longo prazo e produzir sempre, para que cada um dos pouquinhos que chegar some o suficiente para garantir a sobrevivência.

Fuja de quem discorda que escrever dá dinheiro. Eu mesma costumava acreditar que a arte não pode se misturar com o vil metal, que era besteira querer ser paga por umas palavrinhas. Descobri que a sensação de ver o seu trabalho recompensado é imensa.

Procure freelas

Desde a criação da imprensa, muitos escritores são pagos ao produzir para veículos de comunicação. Hoje, com a internet, há também a opção de investir no marketing de conteúdo. Várias agências buscam redatores web para alimentar blogs corporativos.

Dentre os sites mais interessantes no segmento está a Rock Content, uma plataforma que faz o meio de campo entre redatores freelancer e clientes na produção de conteúdo. Basta um simples cadastro para fazer sua candidatura nas editorias disponíveis.

Já nos sites Freelancer.com e Workanda, é possível encontrar os mais variados jobs na área de redação, mas a negociação é feita de forma direta. Ou seja, é você quem terá que defender a sua proposta.

Com um pouco de prática e jogo de cintura, ser redator web é uma boa opção para quem quer ser pago pelos seus textos.

Publique um livro e participe de feiras

Ah, uma das melhores sensações da vida é saber que seu livro foi lido. Um elixir que prova que todo o trabalho valeu a pena. Não há outra descrição.

Sou adepta da autopublicação. Viabilizei meus livros através de financiamento coletivo e costumo participar de eventos para dar vazão aos exemplares. Participei de várias feiras de HQs (como FIQ, Bienal de Quadrinhos de Curitiba, CCXP, etc) e conheci muita gente que ganha dinheiro com suas publicações.

Tanto nas campanhas de financiamento coletivo quanto nas feiras, o mais valioso é ter contato com os leitores. Numa boa campanha de crowndfunding, por exemplo, é possível dar vazão a pelo menos 30% da tiragem inicial e juntar dinheiro para viabilizar o projeto.

Com o livro em mãos e o nome já mais familiar entre os leitores, vender o seu livro fica muito mais fácil – e muito mais prazeroso também.

Pronto para encarar o desafio?

Fuja de quem discorda que escrever dá dinheiro. Eu mesma costumava acreditar que a arte não pode se misturar com o vil metal, que era besteira querer ser paga por umas palavrinhas. Descobri que a sensação de ver o seu trabalho recompensado é imensa.

Escrever com prazer, se dedicar ao texto, passar meses trabalhando na sua história e depois ser remunerado por isso é uma grande conquista. Mas não se iluda, é preciso avaliar o seu cenário financeiro, ter disciplina e buscar opções para monetizar o trabalho de formiguinha. E assim escrever, literalmente, valerá a pena.

Escreva mais e melhor com a Caixa de Ideias do site Oficina de Escrita

Sobre o autor

Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).

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Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).