6 formas de distribuir o seu livro e alcançar mais leitores

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Ah, a felicidade de ver o livro pronto e publicado. O cheiro de papel recém-impresso, as pilhas de caixas se acumulando nos cantos da casa, o verdadeiro oásis do escritor. Mas, verdade seja dita, as obras não se venderão sozinhas. Ao escolher ser um autor independente, você pensou em como se faz a distribuição de livros?

Eu sempre digo e volto a repetir: o escritor precisa ser um empreendedor. Não basta apenas escrever, publicar e esperar que os leitores cheguem até você, todos ávidos pelas suas publicações. É preciso ser o seu próprio cartão de visitas, colocar os livros debaixo do braço e correr atrás dos leitores (metaforicamente, por favor, vai que eles se assustam).

Existem algumas maneiras de distribuir o seu livro, mas já vou avisando: todas são trabalhosas. Então quer dizer que, além do trabalho de escrever, reescrever, revisar e publicar, eu ainda terei que batalhar para vender meus livros? Sim. Por isso, é preciso estar armado e pronto para enfrentar o verdadeiro calvário da distribuição de livros no Brasil. Afinal, ninguém conhece, ama e pode vender melhor o seu livro do que você.

Vale lembrar que neste artigo abordarei apenas a distribuição de livros impressos. Se você quer saber sobre distribuição de e-books, em breve abordarei o assunto aqui no site.

  1. Deixando livros em consignação

Consignação é a prática de entregar um produto em um ponto comercial sem receber o valor acordado no ato da entrega. O pagamento só acontece quando o produto é vendido de fato. Além disso, a loja fica com uma porcentagem do valor de venda – que, no caso dos livros, pode variar de 35% a 70%.

Sem dúvida, deixar os livros em consignação é uma das práticas mais comuns entre autores e pontos de venda. E, convenhamos, é algo bastante compreensível, já que nada garante que o livro venderá. O comerciante precisa se defender de alguma forma, e não há nada de errado nisso.

Em todos os locais mencionados abaixo, o autor precisar estar ciente de que terá que levar os exemplares para venda, manter contato constante com a livraria perguntando se há ou não valores a serem recebidos, emitir notas e, se for necessário, ir retirar os livros, em caso de encalhe. Em suma, é um baita trabalho.

Se jogue do pedestal do escritor, enfrente o mundo. Quem não é visto, não é lembrado nem lido.

  • Livrarias de grande porte

Dentre os muitos devaneios do escritor, um deles é o de ter seu livro exposto na prateleira de uma grande livraria. E, convenhamos, é lindo de ver mesmo. Você será o orgulho da família, poderá tirar fotos e postar nas redes sociais, as pessoas até saberão que você publicou um livro! Mas calma, nem tudo são flores.

As vendas em livrarias de grande porte andam a passos de formiga. Os poucos exemplares que você consegue deixar em consignação (em média e com sorte, cinco) demoram de três a seis meses para serem pagos, quando vendidos. Além disso, há uma burocracia enorme com relação a emissão das notas de consignação e venda, muito explicada pela Carolina Vigna-Marú em seu artigo para o site Carreira Solo.

  • Bancas de revista

É muito, mas muito difícil conseguir entrar nas bancas de revista no Brasil por um motivo simples: o país é muito grande. As publicações vendidas nesses pontos têm tiragens de, no mínimo, 5 mil exemplares – algo impensável para um autor independente.

No entanto, coloco a opção aqui para contar a minha experiência no assunto. Eu tive a sorte de ter minha HQ A Samurai distribuída para o país inteiro através da Tambor Quadrinhos. Foi muito interessante ver o meu trabalho alcançando o país inteiro e saber que existem, sim, pessoas interessadas pela minha história.

O prazo máximo de colocação do livro em bancas é de 60 dias. Depois disso, os exemplares que não foram vendidos são recolhidos e é feita a contabilidade. Por questões logísticas, o pagamento também costuma demorar um pouco a chegar, por isso é preciso ter um pouco de paciência.

Apesar de estar distante da realidade da maioria dos autores, recomendo que, se houver a oportunidade, distribua sua obra em bancas de revista.

  • Pequenas livrarias e lojas especializadas

Se você quer ser acolhido de braços abertos logo de cara, comece seu plano de distribuição de livros em espaços pequenos. Aquela livraria de rua da sua cidade, a loja alternativa só com livros independentes ou que vendam produtos na sua área, sabe? Munido de alguns livros, vá conversar com o dono do lugar e mostre seu trabalho.

Com certeza você terá que deixar alguns exemplares em consignação e as vendas serão pingadas. Mas olha, melhor pingar do que secar de vez. Não se esqueça também de pegar todos os dados para contato da loja e manter uma planilha de controle de vendas. Lembre-se que você é responsável pelo seu livro. O dono da loja não tem obrigação de lembrar diariamente da sua obra, então não se magoe se ele simplesmente se esquecer de você.

Nunca foi tão fácil encontrar pessoas interessadas no que produzimos, não importa o conteúdo. Há sempre uma infinidade de tampas para a panela das nossas ideias, basta trabalhar para ser encontrado.

  • Pontos comerciais diversos

Você pode usar a sua cara de pau e ir um pouco além das livrarias. Deixe o seu livro onde achar que ele combina. Digamos que você tenha escrito sobre alimentação saudável e exercícios. Que tal passar em todas as academias do seu bairro oferecendo o seu material? É uma ideia, o que te impede de realizá-la? Se jogue do pedestal do escritor, enfrente o mundo. Quem não é visto, não é lembrado nem lido.

  1. Formando sua base de leitores

Todo escritor sabe que reunir leitores é o grande objetivo da escrita. De nada adianta ser supercriativo, eloquente e bem resolvido como artista se ninguém ler o seu trabalho. Para que as pessoas olhem o seu livro nas livrarias e queiram comprá-lo, é preciso antes cativar seus futuros leitores.

Hoje nós temos a internet ao nosso favor. Nunca foi tão fácil encontrar pessoas interessadas no que produzimos, não importa o conteúdo. Há sempre uma infinidade de tampas para a panela das nossas ideias, basta trabalhar para ser encontrado.

  • Blogs e redes sociais

Todo escritor que se preze já fez um blog, afinal, a ideia de escrever e publicar textos é, no mínimo, encantadora. Mas existe uma diferença crucial entre montar um blog e manter um blog. Tanto a frequência quanto a qualidade das postagens são de suma importância para fidelizar os leitores.

A magia da brincadeira é que as pessoas estão todas aí, usando redes sociais e ávidas por conteúdos interessantes. Diante desse cenário, é quase impossível não encontrar o seu público leitor. No entanto, é preciso ser persistente e realista: com tanta gente postando e produzindo, talvez você tenha que dar um empurrãozinho na sorte. Impulsione postagens e não desista logo no primeiro mês. Aos poucos, você encontrará os seus leitores.

Montar uma campanha de financiamento coletivo e dar a cara à tapa é como apontar um holofote para o seu nome por um tempo.

  • Loja virtual própria

Se você já tem livros e produtos, monte a sua própria loja virtual. Não precisa ser nada espetacular e incrível, basta ser acessível e mostrar os seus títulos. Coloque-os dentro do seu blog, em sua fanpage, no seu cartão de visitas e onde mais estiver.

Além de poder atender leitores de todo o país, é sempre bom poder dizer que o seu livro está disponível para venda online. Muitas vezes, a pessoa se interessa pelo seu trabalho, mas não tem dinheiro para comprá-lo na hora. Com certeza, assim que ela encontrar o seu material de novo e tiver condições financeiras para tal, irá adquiri-lo.

  • Financiamento coletivo

Eu sou uma defensora do financiamento coletivo, afinal, me criei com ele. Viabilizei minhas três publicações através da plataforma e recomendo a experiência para todos os artistas.

Montar uma campanha e dar a cara à tapa é como apontar um holofote para o seu nome por um tempo. Muita gente te descobrirá e se interessará pelo seu trabalho. Parentes, amigos, inimigos, admiradores, demais artistas… Muita gente mesmo.

Independente se sua campanha for bem sucedida ou não, as pessoas saberão o que você está inventando. Faça contato com elas, conte sobre o seu trabalho. Aproveite-se da oportunidade e cultive o diálogo. Com um pouco de sorte e muito suor, os seus leitores acreditarão na ideia e te ajudarão a publicar o seu livro.

Escrever pode ser a parte mais divertida, mas para ser escritor, é preciso ir muito além do processo criativo. Faz-se necessário ser empreendedor e estreitar laços tanto com o público quanto com o mercado livreiro.

  1. Participando de feiras e eventos

Entendo perfeitamente que o porto seguro do escritor é em frente ao computador, no aconchego do lar. Mas acontece que nós moramos no Brasil, terra do calor humano, do contato físico, do olho no olho. Até os escritores precisam sair de casa.

Vencida a barreira da timidez, é muito bom participar de feiras e eventos. Você conhece pessoas novas, encontra amigos que se tornam leitores, leitores que se tornam seus amigos, vê gente e volta para casa revigorado, cheio de energia para continuar o trabalho.

E a melhor parte é que você até consegue vender livros. Se você é daqueles que acham que arte e dinheiro não se misturam, é melhor rever os seus conceitos. A satisfação de ver alguém comprando a sua publicação é imensa. Pense, depois de todo o trabalho de escrever e se autopublicar, existem pessoas que pagam pelo seu trabalho autoral. É uma conquista pra vida.

  1. Contratando uma distribuidora

Agora, se já deu uma canseira só de ler sobre distribuição de livros, talvez seja melhor terceirizar o trabalho. Existem várias empresas e profissionais capazes de levar o seu livro para as livrarias e lojas especializadas.

A minhas experiência com distribuidoras limita-se a Tambor Quadrinhos, que distribuiu minha HQ A Samurai para todas as bancas do país. O resultado foi ótimo, mas, como mencionei acima, é preciso ter paciência até receber um retorno financeiro ou de vendas.

Distribuição, o calcanhar de Aquiles de todo escritor

Escrever pode ser a parte mais divertida, mas para ser escritor, é preciso ir muito além do processo criativo. Faz-se necessário ser empreendedor e estreitar laços tanto com o público quanto com o mercado livreiro. Ainda que seja maravilhoso ficar produzindo no conforto do lar, se o seu objetivo é ganhar dinheiro com a escrita, terá que dar vazão às suas publicações.

É certo que apenas com a distribuição de livros será difícil alcançar o sucesso financeiro esperado. Para ser bem sucedido, o escritor precisa atuar de várias formas, se fazer presente e construir a sua base de leitores. Ao conquistar o seu lugar ao sol, vender livros será muito mais fácil.

Sobre o autor

Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).

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Mylle Silva

Escritora desde que se conhece por gente, vive um conflito eterno com as histórias e ideias que insistem em habitar sua mente. Publicou o livro de contos A Sala de Banho (2014), e as HQs A Samurai (2015) e A Samurai: Yorimichi (2016).